Itaú (ITUB4) lança “botão de reset” da fatura do cartão de crédito; saiba quanto custa e como funciona o novo fôlego no orçamento
O mercado financeiro brasileiro acaba de ganhar uma novidade que promete mudar a forma como os consumidores lidam com o ciclo de gastos do cartão de crédito. O Itaú Unibanco (ITUB4) anunciou o lançamento oficial do “Vira Fatura”, uma ferramenta inovadora dentro do seu superapp que vem sendo chamada popularmente de o “botão de reset” da fatura.
A proposta do maior banco privado do país é dar maior autonomia e flexibilidade para quem precisa de um fôlego extra no orçamento ou deseja aproveitar uma oportunidade de compra sem comprometer as contas do mês corrente. No entanto, como qualquer produto financeiro ligado ao crédito, a novidade exige atenção para não se transformar em uma armadilha de endividamento.
Neste artigo completo, vamos analisar detalhadamente como funciona essa nova funcionalidade, quais são os custos envolvidos, as vantagens práticas para o seu bolso e os cuidados essenciais que você deve tomar para manter a sua saúde financeira em dia.
O que é o “botão de reset” ou Vira Fatura do Itaú?

O “Vira Fatura” é uma funcionalidade digital inédita no sistema bancário brasileiro, desenvolvida para permitir que o cliente encerre o ciclo de compras atual do seu cartão de crédito antes da data de fechamento estipulada no contrato. Na prática, ao acionar esse comando, o usuário faz com que a fatura que estava aberta seja “congelada” e fechada imediatamente. A partir daquele exato momento, qualquer nova despesa ou compra realizada será lançada apenas na fatura do mês seguinte.
A ideia central por trás do recurso nasceu da observação do comportamento dos correntistas. É muito comum ouvir a expressão “vou esperar o cartão virar” para realizar uma compra mais expressiva ou aproveitar uma promoção. Com o botão de reset, o próprio cliente determina o momento dessa virada, desde que respeitados os prazos estabelecidos pela instituição financeira.
Dessa forma, o usuário ganha a oportunidade de gerenciar o fluxo de caixa pessoal com muito mais liberdade. Se o orçamento de um determinado mês já está saturado e surge uma despesa urgente ou planejada, o cliente pode optar por empurrar esse novo gasto para o próximo ciclo, ganhando semanas adicionais de prazo para efetuar o pagamento.
Como funciona a mecânica do Vira Fatura no aplicativo?

A operação do botão de reset é totalmente digital e simplificada, ocorrendo diretamente na área de gestão de cartões do Superapp Itaú. A ferramenta fica disponível para o cliente durante uma janela de tempo específica: nos 8 dias que antecedem a data tradicional de fechamento da fatura. Caso o cliente esteja dentro desse período e decida ativar o recurso, o processo ocorre de maneira instantânea.
Ao clicar no comando, o sistema do banco realiza três ações automáticas imediatas. Primeiro, a fatura vigente é encerrada com o saldo acumulado até aquele minuto. Segundo, o sistema abre o novo ciclo de cobrança, direcionando todas as transações subsequentes para o mês seguinte. Terceiro, a data original de vencimento do cartão é rigorosamente mantida.
É fundamental compreender que o limite de crédito total do cliente não sofre nenhuma alteração ou acréscimo com o uso da ferramenta. O limite disponível continua sendo exatamente o mesmo e só é liberado à medida que os pagamentos forem efetuados de forma regular. As compras antigas e os parcelamentos que já haviam sido contratados anteriormente também permanecem inalterados, sendo cobrados nas suas respectivas datas.
Quanto custa para usar o novo recurso do Itaú?

Uma das principais dúvidas dos consumidores em relação ao Vira Fatura diz respeito ao preço cobrado pelo serviço. O Itaú Unibanco estruturou a utilização da ferramenta em dois modelos de operação bem definidos, permitindo que o cliente escolha a alternativa que melhor se adapta às suas necessidades imediatas.
O primeiro formato é totalmente gratuito. Para não pagar nenhuma taxa ou tarifa pelo adiantamento do fechamento, o cliente precisa realizar a quitação integral do saldo devedor acumulado na fatura no exato momento em que aciona o botão de reset. Esse modelo funciona como uma antecipação de pagamento tradicional, onde o cliente limpa a fatura atual para recomeçar o ciclo com o saldo zerado, sem custos adicionais.
O segundo formato é o modelo pago, que funciona através de uma taxa por uso ou assinatura avulsa no valor de R$ 9,90. Caso o cliente queira antecipar o fechamento da fatura para jogar as novas compras para o mês seguinte, mas prefira pagar o saldo acumulado apenas na data de vencimento original do cartão, será cobrada essa tarifa fixa. O valor de R$ 9,90 cobre a operação de alteração de ciclo sem a necessidade de desembolso imediato do dinheiro.
Quem tem direito e como acessar a novidade?

O lançamento do Vira Fatura está ocorrendo de forma gradual e controlada, seguindo a estratégia de “test and learn” (teste e aprendizado) comumente adotada por grandes instituições financeiras e fintechs. A liberação inicial começou a ser feita no mês de maio de 2026 para um grupo restrito de usuários da base do banco.
O objetivo do Itaú é expandir o acesso de maneira progressiva ao longo dos próximos meses, ajustando as funcionalidades com base nos feedbacks coletados. A expectativa oficial da instituição é que a ferramenta esteja 100% disponível para toda a base de clientes de cartões de crédito até o final do ano de 2026. O banco não divulgou publicamente critérios de score ou renda para a liberação antecipada no aplicativo.
Para verificar se você já tem acesso ao recurso, basta manter o seu Superapp Itaú atualizado na loja de aplicativos do seu smartphone. Ao acessar o menu de cartões, procure pela opção “Vira Fatura”. Se ela estiver visível durante os 8 dias que antecedem o fechamento do seu cartão, significa que o seu perfil já foi contemplado na fase de testes.
O botão de reset é inédito no mercado financeiro nacional?

De acordo com apurações do mercado e comunicados oficiais das principais instituições financeiras do país, a iniciativa do Itaú Unibanco é uma novidade absoluta dentro do sistema bancário brasileiro. Nenhum dos outros grandes conglomerados, sejam eles públicos ou privados, oferece atualmente um mecanismo idêntico de alteração manual e instantânea do ciclo de faturamento.
Ao serem questionados sobre ferramentas semelhantes, concorrentes como o Bradesco (BBDC4) explicaram que oferecem a possibilidade de antecipação do pagamento de faturas ou de parcelas, mas que as novas compras realizadas no intervalo continuam entrando na fatura corrente até a data de corte natural do sistema. O Banco do Brasil (BBAS3) também permite a antecipação com liberação de benefícios como pontos e cashback, mas sem mudar a estrutura do ciclo de corte. O Santander Brasil (SANB11) declarou não possuir essa funcionalidade em seu portfólio.
Essa exclusividade temporária coloca o Itaú em uma posição de destaque na busca por inovação em serviços de crédito e fidelização de clientes, principalmente após a consolidação de sua estratégia de unificação de plataformas, que migrou mais de 15 milhões de usuários para um único ambiente digital focado na experiência do consumidor.
Quando vale a pena utilizar o Vira Fatura no dia a dia?

A utilização do botão de reset pode ser extremamente vantajosa se for feita de forma estratégica e planejada. O principal cenário de utilidade ocorre quando surge uma oportunidade única de consumo — como uma grande queima de estoque, uma promoção relâmpago de passagens aéreas ou um desconto agressivo em um eletrodoméstico planejado — justamente nos dias em que a sua fatura atual já está no limite do teto de gastos estipulado para o mês.
Outra situação prática envolve despesas emergenciais e imprevisíveis, como a necessidade de consertar o carro, comprar um medicamento caro de última hora ou resolver um problema estrutural na residência. Nessas horas, conseguir “jogar” essa nova despesa para a fatura seguinte dá ao consumidor um prazo extra de até 40 dias para reorganizar as finanças familiares e acomodar o novo gasto sem precisar recorrer a empréstimos pessoais ou ao cheque especial.
O uso do modelo gratuito (com pagamento imediato) também se mostra excelente para quem recebe o salário em datas variáveis ou possui receitas fracionadas ao longo do mês, permitindo alinhar perfeitamente o encerramento dos gastos com a entrada efetiva de dinheiro em conta.
Quais são os riscos e as armadilhas financeiras do recurso?

Apesar de ser apresentado como uma ferramenta de auxílio à organização orçamentária, o Vira Fatura carrega os mesmos riscos inerentes ao uso do crédito facilitado. O perigo psicológico é a falsa sensação de que as contas foram zeradas ou adiadas indefinidamente. Ao “resetar” a fatura, o cliente pode esquecer que o valor acumulado anteriormente ainda precisará ser pago na data de vencimento original.
O maior risco reside no efeito bola de neve. Se o consumidor utiliza o botão de reset para liberar espaço para novas compras e, ao chegar no vencimento, não consegue quitar o valor total acumulado da fatura anterior somado aos novos gastos, ele entrará automaticamente nas regras do crédito rotativo tradicional. No Brasil, os juros do rotativo estão entre as taxas mais elevadas do mercado, o que pode desestruturar rapidamente as finanças de qualquer cidadão.
Portanto, o recurso nunca deve ser encarado como uma extensão do seu salário ou como uma licença para gastar mais do que a sua capacidade real de pagamento permite. A disciplina financeira continua sendo o pilar obrigatório para o uso saudável do cartão.
Diferenças práticas: Vira Fatura vs. Antecipação tradicional

Para que o leitor compreenda perfeitamente a inovação do Itaú, vale a pena traçar um paralelo entre o Vira Fatura e o mecanismo de antecipação que já existe na maioria dos bancos. Na antecipação tradicional, você realiza o pagamento de um valor para liberar o seu limite de crédito de forma imediata. Contudo, o ciclo de faturamento continua aberto, o que significa que se você gastar novamente logo em seguida, aquele novo valor ainda virá cobrado na mesma fatura.
No caso do Vira Fatura do Itaú, ocorre uma verdadeira quebra de ciclo. Não se trata apenas de pagar ou liberar limite, mas de alterar a gaveta onde a nova compra será guardada. Ao apertar o botão, o sistema cria uma barreira temporal intransponível: o passado fica trancado na fatura antiga e o futuro começa imediatamente em uma nova folha de pagamento.
Essa distinção é o que confere o caráter inédito ao produto. É a transformação de um processo puramente operacional e rígido do sistema bancário em uma chave de controle flexível que fica integralmente posicionada nas mãos do usuário final do aplicativo.
Como manter o controle financeiro utilizando o botão de reset?

Se você deseja experimentar a nova ferramenta do Itaú assim que ela estiver disponível em seu aplicativo, é altamente recomendável adotar algumas regras rígidas de controle pessoal. A primeira delas é registrar imediatamente em uma planilha ou aplicativo de controle de gastos o valor da fatura que foi “fechada” antecipadamente, lembrando-se de somar esse compromisso fixo com as novas aquisições.
Evite utilizar o botão de reset de forma recorrente ou consecutiva. O uso ideal deve ser esporádico e voltado para exceções. Se você perceber que precisa acionar a ferramenta todos os meses para conseguir fechar as contas ou para empurrar despesas para frente, isso é um sinal claro de que o seu padrão de vida está desalinhado com a sua renda real e que ajustes estruturais no orçamento são necessários.
Sempre que possível, dê preferência ao modelo gratuito realizando a quitação imediata. Pagar a taxa de R$ 9,90 repetidas vezes pode parecer pouco isoladamente, mas ao longo de um ano representa um custo desnecessário que poderia ser evitado com um planejamento de calendário um pouco mais rigoroso.
O impacto da inovação no mercado de cartões de crédito

O lançamento do Vira Fatura pelo Itaú Unibanco sinaliza uma tendência clara de evolução no setor de meios de pagamento no Brasil. Com o avanço das fintechs e a alta competitividade trazida pelo Pix, os grandes bancos tradicionais precisam encontrar novas formas de agregar valor aos seus produtos de crédito tradicionais, transformando a experiência do usuário em um diferencial competitivo.
A flexibilização das regras de faturamento demonstra que os bancos estão buscando se adaptar às flutuações reais do dia a dia dos trabalhadores, oferecendo soluções personalizadas baseadas em dados e comportamento. É muito provável que, nos próximos anos, concorrentes de peso observem a aceitação do Vira Fatura e passem a desenvolver soluções semelhantes, forçando uma padronização desse tipo de serviço no mercado.
Para o acionista da instituição (ITUB4), esse tipo de lançamento é visto de forma positiva pelo mercado, pois demonstra capacidade de inovação tecnológica, potencial de geração de receitas alternativas através de taxas de serviços e, acima de tudo, uma ferramenta eficaz para atração e retenção de clientes dentro de seu ecossistema digital.
